Pietro Erber, do INEE: Preço do Atendimento no Horário de Ponta
Há evidências de que, no horário de ponta, parte já significativa da
demanda de energia elétrica esteja sendo atendida por geração local, a
diesel, pois a estrutura tarifária, os encargos do sistema e a carga
fiscal contribuem para que o custo do fornecimento nesse horário seja
muito mais elevado do que o da geração a diesel. Estima-se que essa
autoprodução some hoje mais de 3 GW.
As vantagens financeiras dessa substituição do fornecimento das
concessionárias de distribuição por autoprodução, percebidas pelos
consumidores, tendem a expandi-la, em detrimento da cogeração e da
receita e a remuneração das distribuidoras, colocando-as na condição de
stand-by no horário de ponta. Alem de poder levar suas vendas de ponta
a ficarem abaixo das previsões que balizaram seus contratos com as
geradoras, em médio prazo poderá levá-as a subestimarem seus requisitos
de investimento nas redes e de contratação de suprimento de ponta e
energia, por desconsiderarem uma demanda existente, embora latente. Na
medida em que essa geração local seja reduzida ou descontinuada, por
razões ambientais ou outras, as redes de distribuição, bem como as
instalações que as suprem poderão apresentar dificuldades em atender
essa demanda adicional.
Para avaliar a vantagem que a referida substituição proporciona aos
consumidores atendidos em média e alta tensão, foram calculados os
preços médios de fornecimento de ponta aos consumidores da
LIGHT1 e da ELETROPAULO2, em 2011, mediante a
tarifa Azul, que apresenta tarifas de ponta diferenciadas para os
horários de ponta e fora de ponta, e a tarifa Verde, que só tem uma
tarifa de demanda. Foram consideradas as tarifas das classes A2, A3a,
A4 e AS e fatores de carga de 60% a 100%.
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1Resolução ANEEL 1232 de 01/11/2011 2Resolução ANEEL 1025 de 29/06/10