INEE: notícia sobre andamento do Projeto de Caminhão Elétrico Híbrido a Álcool - CEHA
Uma das principais bandeiras do INEE desde a sua criação foi o aumento
da eficiência no setor de cana que, melhorando a eficiência dos
sistemas de energia, pode gerar, de forma competitiva, 20% da energia
elétrica do país. Defende, também, a eletrificação do acionamento
veicular para aumentar a eficiência nos transportes, onde se observam
hoje os maiores desperdícios de energia de origem fóssil.
Ambas as teses vão se tornando realidade. As resistências ao
desenvolvimento da bioletricidade da cana vêm caindo, tanto no setor
elétrico quanto no canavieiro. O INEE influiu neste processo,
liderando a discussão de temas importantes, tais como a criação do
Produtor Independente de energia elétrica (1998), o reconhecimento da
geração distribuída no Marco Regulatório (2004) e a decisão do BNDES
de incentivar o uso de caldeiras de alta pressão (2006). O uso de
veículos elétricos também foi muito alavancado ao longo de 2009 pelas
pressões governamentais para que os veículos sejam menos dependentes
do petróleo e reduzam as emissões.
Trabalhando os dois temas, surgiu como natural, o projeto de
desenvolver um “Caminhão Elétrico Híbrido a Álcool – CEHA” para
transportar a cana. A escolha considerou que, de um lado a indústria
da cana tem uma forte dependência do diesel, usado para transportar a
cana, do campo, em partidas de 50 toneladas, o que é feito,
atualmente, com caminhões a diesel. Estima-se que para produzir uma
unidade de energia de álcool, é necessária uma energia de diesel
equivalente a 10% do álcool. Por outro lado, este transporte é feito
em curtas distâncias, uma média de 25 km, e tem uma característica de
movimentação tipo “arranca e pára”, típicas dos ônibus urbanos e onde
vem sendo utilizado, com grande sucesso, inclusive no Brasil, a
tecnologia elétrico-híbrida.
O acionamento elétrico-híbrido não se baseia em tecnologia nova ou
experimental. Trata-se de uma arquitetura que integra tecnologias
dominadas e que amadureceram na medida em que evoluíram a eletrônica
de potência e de controle. Como, no entanto, quebra paradigmas, nem
sempre avançará com base em seus méritos de eficiência, economia e
efeito ambiental. Quanto mais cedo chegar ao mercado, ainda que sob a
forma de protótipo, concorrerá para avançar seu aperfeiçoamento e dar
às iniciativas pioneiras uma vantagem competitiva em médio
prazo.
Por esta razão há quatro anos o INEE vem buscando parceiros dentre os
possíveis interessados para realizar o projeto. Houve um grande número
de manifestações de interesse, mas até aqui não tinha sido possível
resolver a equação financeira para cobrir os custos do trabalho.
Somente em dezembro de 2009, o INEE vislumbra a possibilidade de
fechar uma parceria para preparar um plano de negócios visando o
desenvolvimento do projeto.