VEs causarão maior impacto no consumo de combustíveis fósseis do que
de eletricidade
Em 30 de junho passado aconteceu o primeiro VER-2009, que teve a
participação de quase 90 inscritos dos mais diversos segmentos de
atividade, desde governo, transporte, setor elétrico até
universidades, fabricantes de veículos elétricos e
componentes.
A certeza de que os veículos elétricos já são uma realidade e os
desafios do futuro para que essa tecnologia predomine foram a tônica
do Primeiro Seminário Brasileiro Veículos Elétricos & Rede Elétrica
(VER-2009) que aconteceu na Firjan, no Rio de Janeiro.
Especialistas alertaram para o fato de que os veículos elétricos
causarão maior impacto na redução do consumo de combustíveis fósseis
do que no aumento do consumo de energia elétrica. De acordo com a
previsão apresentada pelo diretor do INEE Pietro Erber, poderá haver
uma redução de combustíveis fósseis de aproximadamente 5,5 milhões de
tep (toneladas equivalentes de petróleo) em 2025. A previsão também
aponta o crescimento do uso de veículos elétricos híbridos e veículos
elétricos híbridos plug-in, cada um deles representando,
respectivamente, 6,6 milhões e 4,3 milhões de automóveis, em
2025.
“A recarga dos VEs poderá ser feita no período da noite, sem utilizar
o horário de ponta e sem sobrecarregar a rede. A estimativa do consumo
médio de um VE é de 3MWh/ano. Isso corresponde ao consumo de um
aparelho de ar condicionado”, afirma Pietro.
Durante o VER-2009 especialistas nacionais e internacionais debateram
as novas tendências e a evolução da eletrificação de veículos no
Brasil, os impactos na distribuição e geração elétrica com o aumento
da população de veículos elétricos, as oportunidades advindas do
crescimento desse mercado e como esta novidade se articula com os
conceitos modernos de redes inteligentes.
Os palestrantes Cyro Boccuzzi, presidente da ECOEE, e o indiano
Arindam Maitra, gerente de projeto sênior da EPRI, levantaram o debate
a respeito dos sistemas de distribuição inteligentes, chamadas de
Smart Grid. Segundo eles, este novo conceito não se caracteriza apenas
por medidores avançados e inteligentes, mas foi desenvolvido pelos
benefícios do futuro com integração dos ativos de energia,
telecomunicações e tecnologia de informação, com valiosos efeitos em
termos de eficiência energética.
“A Smart Grid caracteriza-se por utilizar tecnologias recentes para
controle de sistemas em tempo real, eficiência energética e
gerenciamento da demanda, geração renovável, solar ou eólica, em
pequena escala, sensores, controladores e atuadores de última geração,
armazenamento de energia e chaveamento eletrônico, tarifas
inteligentes, uso otimizado, menores investimentos em longo prazo,
redução de emissões, menor impacto ambiental”, disse Boccuzzi.
Ressaltou ainda que, segundo estudo recente do Brattle Group, os
veículos elétricos contribuem para a maior valoração da Smart Grid (da
ordem de US$ 341 bilhões) contra US$ 227 bilhões dos demais itens,
entre outros, a geração distribuída e a infraestrutura de
medição.
Maitra disse que a Smart Grid é a maneira de conectar os clientes ao
sistema. Ratificou que a realidade dessa tecnologia está chegando,
estejamos preparados ou não, e alertou ainda para o fato da indústria,
reguladores e concessionárias não estarem sincronizados. “Este é o
tempo para começar o diálogo entre as concessionárias de energia e as
empresas automotivas, senão ficaremos para trás”, afirmou
Maitra.
Engenheiro da PSR Consultoria, Sergio Granville, representando o
diretor da empresa, Mario Veiga, ressaltou em sua palestra “VE e o
Sistema Brasileiro”, que, dada a variação do consumo de eletricidade
residencial/comercial ao longo do dia, há normalmente uma grande
capacidade ociosa nas instalações de uma distribuidora. Ainda segundo
Granville, a adoção do carro elétrico e como conseqüência o uso mais
eficiente desse sistema pode implicar em uma redução de até 6% na
tarifa de fornecimento de energia para os consumidores residenciais /
comerciais da área Rio de Janeiro. Estimou que, utilizando as folgas
da capacidade da rede da Light, cerca de 54% da frota de automóveis do
Rio poderia vir a ser elétrica.
O diretor-presidente da ABVE, Antônio Nunes, e o diretor geral do
INEE, Jayme Buarque de Hollanda, falaram, respectivamente, sobre os
diversos tipos, componentes e evolução dos VEs, tanto no Brasil quanto
no exterior, e sobre as características como carga dos VES e a relação
com a rede elétrica.
No debate final, coordenado por Ângelo Vian, presidente da ABCE,
destacou-se a importância de uma posição governamental firme visando
incentivar o aumento do uso de veículos elétricos no país, reforçando
a preocupação com o meio ambiente, e a incorporação de mais
inteligência às redes elétricas.
Houve também uma exposição de três veículos elétricos, uma bicicleta
elétrica da Biobike, um carro elétrico a bateria, REVA, e um Toyota
Prius, elétrico híbrido, pertencente à Light. O evento teve o
patrocínio da CPFL Energia, com apoio da Light, Abradee, ECOEE, EPRI,
PSR, Canal Energia, Biobike e CamBrasil, e organização do INEE e da
ABVE.
Acesse no site da ABVE, o link das perguntas mais frequentes e conheça as definições
de Veículos elétricos, Veículo elétrico a bateria, Veículos elétricos
híbridos e Veículo elétrico de célula a combustível.
As palestras estão disponíveis para download no site do evento VER2009.
O DVD do evento, com os vídeos e apresentações em ppt, será
distribuído aos participantes. Os demais interessados devem contactar
o INEE (tel: 21 2532-1389 ou email: inee@inee.org.br.